domingo, 18 de Outubro de 2009

Liberdade de expressão... ou então não

Às vezes dou comigo a pensar em como seria o mundo se todos dissessem o que pensam a toda a gente, se todos deixassem de ter medo de dizer as coisas para não magoar A ou B, para não ferir susceptibilidades de C ou D, se todos falassem abertamente com quem quer que fosse.

Passamos a vida a medir as palavras, a calar pensamentos, a pesar tudo o que dizemos... podemos falar assim com fulano, mas não podemos com beltrano que não ia entender ou levar a bem. Não posso falar assim com o chefe que corro o risco de perder o emprego, não posso dizer isto ou aquilo à namorada que ela vai ficar segura ou insegura demais, não posso dizer isto ao amigo, porque está deprimidíssimo e ainda se atira do último andar, não posso dizer tal ao outro que se torna convencido, convém não dizer isto àquela senão baixo-lhe a auto-estima... Mesmo quando se trata de elogiar, mimar ou dizer bem, temos que medir o que dizemos, porque corremos o risco de estar a dar graxa a Y, apaixonados por X, ou a ser lamechas e «assim muito coisinho».

Eu cá tenho alguma dificuldade em dosear as minhas palavras. A maior parte das vezes dou comigo a dizer mesmo tudo o que me passa pela cabeça. Muitas vezes farto-me de ter que ponderar tudooooo ao mais pequeno pormenor, a verdade é que acabo algumas vezes por pensar que não devia ter dito isto ou aquilo e a reflectir sobre as minhas atitudes... =/

Como seria o mundo se desde pequenitos tivessemos sido habituados a dizer tudo o que pensamos sem restrições?...

Se calhar estaríamos tão habituados a ouvir certas coisas que não haveria tanta gente deprimida mundo fora, não haveria tanta gente com problemas a elogiar o próximo ou a manifestar amor na frente de terceiros, não haveria ninguém a sentir-se magoado porque descobriu que este ou aquele falou mal de si, basicamente talvez não se criassem tantas ilusões, therefore muito menos desilusões, muito menos depressões, mais honestidade entre as pessoas... talvez o mundo em que vivemos fosse bem mais verdadeiro. Saberíamos sempre com o que poderíamos contar, não nos enganaríamos tantas vezes e arrisco mesmo dizer que talvez aprendessemos muito mais, pois teríamos muito mais consciência do nosso próprio eu e de tudo o que o rodeia.

Bah!

segunda-feira, 5 de Outubro de 2009

Fame, I'm gonna make it to heaven... =)

You've got big dreams? You want fame? Well fame costs. And right here is where you start paying in sweat.

Fame! Quem não se lembra desta série que inspirava fosse quem fosse a seguir os seus sonhos e a ir atrás daquilo que o fazia sentir vivo? Eu lembro-me perfeitamente e confesso que até tenho medo de ir ver a versão séc. XXI que acabou de estrear. Não quero ter outra imagem na cabeça que não a cara do fantástico Leroy Johnson e daqueles movimentos cheios de garra e paixão, da exigente professora Lydia Grant que me fazia querer vestir o maiôt, calçar as perneiras e dançar, dançar, dançar, até ser a melhor bailarina de sempre, da maravilhosa cantora Erica Gimpel, que cada vez que cantava me fazia ficar com pele de galinha... imagens que me transportam para um tempo em que eu ainda podia ser tudo o que quisesse... para aquela altura em que os sonhos estão todos connosco e tudo é ainda possível.

Ainda hoje, quando vou correr, as músicas das séries e filmes de dança desta altura tocam no meu Ipod e fazem parte da lista das minhas power songs, aquelas que me fazem correr o tal nível acima. Fame ou What a Feeling são dois bons exemplos disso. Ainda não vi o filme, mas penso que tudo tem o seu tempo e cada época deve ter a sua originalidade, o seu Q de especial... há coisas em que não faz sentido mexer... acabamos por estragá-las e retirar-lhes o brilho.



quinta-feira, 1 de Outubro de 2009

Hoje acordei com o Vinicius...


... A vida é arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida...


quarta-feira, 30 de Setembro de 2009

A Viagem Interminável

Este blog anda a ficar com publicações de periodicidade duvidosa... não é diário, não é semanal, não é quinzenal, não é mensal... é quando há tempo, inspiração (ou então não) e oportunidade. Desculpem-me os mui nobres seguidores do meu cantinho.

Neste momento estou numa espécie de viagem interminável, a caminho de Lisboa. E como é normal nestas viagens, acabamos por ter sempre algo para relatar. Ora bem, hoje não temos D. Juan no ménu, mas acreditem, antes tivessemos (nunca se está satisfeito). Ao meu lado vai um barrigudo que começou a viagem por pedir uns auscultadores que mais pareciam altifalantes, tal era o volume a que a criaturinha ouvia os tais canais fantásticos que existem no combóio. Depois deu-lhe o sono (felizmente) e resolveu desligar a coisa. Recostou-se, pôs-se a jeito e zás... começo a sentir um cheiro nauseabundo. Sua excelência resolveu dar notícias do seu interior a toda a carruagem. Eis que toca o seu maravilhoso telemóvel, com uma musiquinha de arrepiar cabelos (igualmente em alto som) e a personagem começa a falar aos berros. Analisando bem a coisa, às tantas a pobre criatura é surda ou ouve bastante mal, daí o volume que usa em tudo e o tom de voz que utiliza.

Ao lado da rústica criatura, vai uma da mesma espécie. Deve estar tão habituado a estas coisas que, assim que o barrigudo baixou o som dos auscultadores, o avisou, prontamente, que tinha ali os dele, para o caso dos do companheirão estarem avariados.

Viajar de combóio é sempre uma aventura. Só mesmo nos filmes é que encontramos um Ethan Hawke, que se senta à nossa frente e faz logo amizade connosco... aquele charmosão que não pára de dizer coisas interessantes e que nem nos deixa sentir o tempo passar...

Enquanto estava a sonhar com o Ethan, a rústica criatura regressou ao seu lugar e desatou a tirar comida de uma mala. Pânico! Aí vem a bela da sandeee de courato enrolada na pratinha. Tudo como manda o figurino. Acho mesmo que me anda a escapar algo. Na net não devem vender o manual do viajante da CP, juntamente com o bilhete. Deve ser isso que me anda a faltar. Tenho que me inteirar. Acho que ando out. Para a próxima peço ao meu Jorge Coke que me faça a bela da sande e me compre umas latinhas de um gaseificado qualquer (o que interessa é que tenha gás para poder arrotar e bolsar no final, senão não serve, é como usar havaianas com traje académico).

Bem minha gente, vou ali ao bar comer qualquer coisita que a sande de courato abriu-me o apetite. =)

quinta-feira, 3 de Setembro de 2009

Sleepless in Lisbon =)

Sim, eu sei, este blog tem andado meio adormecido, ao contrário de quem, de quando em vez, lhe acrescenta umas linhas. Têm sido imensas as coisas para fazer e acabamos por nos perder no tempo e nas circunstâncias.

Sentia há muito a necessidade de virar a minha vida de patas para o ar e forçá-la a uma pirueta digna de artista de circo… viesse o que viesse, cá estaria eu para ver e, sobretudo, VIVER. Tenho conhecido muita gente nova e convivido com velhos amigos, com quem há muito não me cruzava ou trocava dois dedos de conversa.

Fazendo uma actualização rápida dos últimos acontecimentos, vivo em Benfica, perto do estádio inimigo, já jantei em Alfama numa deliciosa casa de fados e conheci os fadistas que, depois de muita cantoria, petiscadas e um bom vinho, me autografaram cds e prometeram mudar-me a vida, já jantei no Chapitô e deliciei-me com umas margueritas e a vista deslumbrante sobre Lisboa e sobre o Tejo, perdi-me no bairro alto, na bica, no Lux… regressei à escola e conheci novos colegas com quem almocei, passeei, lanchei, jantei e fiz maratonas de shopping, até os pés entrarem em coma, perdi-me em passeios pelos bairros típicos e num mercado maravilhoso no Príncipe Real, vagueei por Belém e cometi o melhor pecado de todos, o da gula…

Em suma, sigo na fabulosa odisseia que é conhecer e reconhecer a minha cidade do coração, aquela a quem sempre pertenci e que me enche as medidas, a que sempre tocou a minha vida com a sua atmosfera mágica, capaz de concretizar os meus melhores sonhos e arrancar-me os maiores sorrisos e as maiores gargalhadas.

Hoje temos dia livre no cardápio, passeio e cineminha com os amigos ao cair da noite.

segunda-feira, 10 de Agosto de 2009

Um pedaço de céu

Um refúgio junto ao mar, uma janela para a piscina, um jantar ao ar livre, um miradouro com direito a luar reflectido na ria, dois braços fortes à minha volta, um bom dia dado sem palavras e um pequeno almoço a dois, tomado quase fora de horas...

Nos intervalos disto e daquilo, que nos vai atropelando dia a dia, surge assim um oásis inesperado, que nos dá força e impulsiona. É então que percebemos que vida é mesmo isto, não são só frases feitas, é mesmo verdade, tudo se resume a momentos raros e inesquecíveis, que vamos coleccionando aqui e além e que acabamos por guardar para sempre connosco, no matter what.

terça-feira, 4 de Agosto de 2009

Férias??!! ...

Férias... por enquanto não passam de uma miragem, ando a vê-las ao looonge e, quando chego perto, transformam-se sempre em mais um caixote para carregar.

Sonhos transformados em realidade ou em pesadelo?... É o que ainda estou para descobrir.

Até agora só conheci a parte pesadelo...

Desde Julho que ando mergulhada nesta aventura da mudança radical, da viragem de uma vida de patas para o ar, e um enorme mar de dúvidas constantemente me assola. Começamos a perceber que talvez tenhamos feito merda quando conseguimos alguém para ficar com a nossa casa e choramos angustiados, quando procuramos casas para viver, semelhantes à que deixámos para trás, e só encontramos pardieiros arrendados como se palácios fossem... Não, não estou a exagerar, estes alfacinhas por vezes sofrem de debilidade mental aguda, bestialmente severa. Já me quiseram arrendar imóveis (como eles gostam de lhes chamar... para mim barraca seria já demasiado) tipo caves (sem janelas, mas com ar condicionado, dizem as alminhas) ou T2 em que as divisões rondam os 8/9 m2, e sem roupeiros, por algo como 550 euros/mês. É de loucos mesmo. Não têm qualquer noção do ridículo. A vontade que nos dá é começar a dar uma de olhanenses e a partir-lhes o focinho. O pior é que a loucura é generalizada, não se cinge apenas a determinada área, para eles todas as zonas são o máximo, se não são Lisboa, são perto de Lisboa, portanto valem o mesmo... «-Há aqui muitos transportes!», dizem orgulhosos...

Já tive que tentar arranjar um novo dono para o meu Bolshoi, por não conseguir arrendar sozinha uma casa com espaço para ele, tal é o absurdo de preços que nos são apresentados. Cedo percebi que essa seria, de todas, a maior loucura que iria cometer. O Bolshoi é que não! Esse seria um preço demasiado alto já... ele tem uma dona, EU, não precisa de mais dono nenhum.

Neste momento acabei as mudanças da primeira fase e coloquei tudo no armazém da tia. Agora falta o principal, arranjar algo a que consiga chamar casa, que tenha aspecto de casa normal e com um terraço ou quintal para o meu loiro (a chamada mission impossible).

Ponto da situação:
Casa no Algarve: Zero
Casa em Lisboa: Zero
Residência actual: Casa dos progenitores
Residência actual do Bolshoi: Casa dos tios
Residência dos dois a partir de 1 de Setembro: Inexistente
Pardieiros a visitar: 2
Dias de praia: 3 (em Junho =S)... ah e um anteontem... meio vá... na praia do Amado =)
Dias de férias: Zero

Já experimentei dividir casa, já encontrei casas fantásticas e estive a um bocadinho assim de viver nelas, mas não resultou e daqui para a frente contarei comigo e apenas comigo... pardieiros ou não, serão meus e do loirinho apenas... na pior das hipóteses estarei de regresso a terras algarvias daqui a quatro anos ;) ou não =) E não venham com o «Eu aviseiii», porque também sei que mudanças nunca são fáceis e que o tempo natural de adaptação é complicadito. Ainda tenho esperança de ver surgir melhores dias no horizonte e de conseguir curtir a minha Lisboa como sempre a imaginei.

sexta-feira, 3 de Julho de 2009

D. Juan do séc. XXI

Esta 4ª feira pus-me a caminho de Lisboa no alfa-pendular das seis e tal da manhã. Ia cheia de sono e disposta a dormir qualquer coisita durante a viagem, mas não, não consegui. O comboio levava a bordo e, na minha carruagem (que sorte), o D. Juan dos tempos modernos.

Pois é meus senhores e minhas senhoras, ele existe mesmo, e anda aí, numa carruagem perto de si.

Enquanto lia uma dessas revistinhas feitas mesmo para estas ocasiões, óptima para embalar no sono qualquer um que as leia, fui interrompida por uma voz grave atrás de mim que, depois de ter carregado no botãozito para fechar a persiana (que apanhava também a minha janela), perguntou: - Por favor? Incomodo? Posso fechar um bocado? - embora a persiana já estivesse para baixo, respondi que não e continuei a leitura.

Passado uns dez minutos, um casal, que ia em bancos separados, pediu ao portador da voz grave que trocasse de lugar com um deles, para que pudessem seguir viagem ao lado um do outro. O persiana man não se importou e trocou. Desta vez sentou-se na coxia, na mesma linha em que eu estava. Havia apenas uma miúda sentada ao meu lado e o corredor a separar-nos (que emoção). O dito não parava de olhar para o lado. A miúda dormia, quase em cima de mim, e deixava o campo de visão livre para o D. Juan. Tentei continuar focada na leitura, apesar de me sentir extremamente observada.

Mais dez minutos volvidos, o D. Juan desaparece e eu quase consigo adormecer. Mas ainda não foi dessa... fui inesperadamente interrompida pelo macho alfa, que regressara com uns auscultadores da CP na mão e se dirigiu a mim dizendo: - Tome, são para si! - e esboçou um enorme sorriso, que lhe rasgava a cara de um lado ao outro, tocando as orelhas.
- Para mim?!!... Obrigada! - e fiquei feita ursa com aquilo na mão e mil e um pensamentos a passarem pela minha cabeça.

Ainda de sorriso na cara, o D. Juan não parava de me observar, na expectativa de alguma conversa... ficava mal continuar a ler a revista, mas também não queria conversar com a personagem. Resolvi então desempacotar os ditos auscultadores e começar a ouvir rádio... assim não teríamos de conversar. Fiz um sorriso amarelo e acenei com a cabeça como que a dizer: - Muito bom!- É então que o D. Juan saca de outros auscultadores e se põe a ouvir em simultâneo comigo (que romântico). Se acham que ficou por aqui, enganam-se. Começou depois a conversar comigo em voz alta, para que eu o pudesse ouvir, apesar de ter os auscultadores nos ouvidos: - Só temos quatro canais! O um, o dois, o três e o quatro, que é a TV... - eu apenas esbocei o sorriso amarelo e acenei com a cabeça. Já farta do que ouvia nas quatro opções fantásticas, e achando que já tinha cumprido a minha missão, retirei os auscultadores dos ouvidos e agarrei novamente na minha revista.

Tinha fome, mas não queria de modo nenhum ser perseguida até ao bar, ou dar sinais falsos ao macho alfa, que iria entender a minha retirada como um: «- Segue-me garanhão... Graaauuuu...»- deixei-me, por isso, ficar esfomeada e sentadinha no lugar, à espera que passasse o barman do comboio com o carrinho da comida. De facto passou, mas quando chegou a mim já não trazia quase nada... e eu queria tanto um leite com chocolate e uma sandes, algo que lembrasse um pequeno almoço. Esperei mais dez minutos e saí de mansinho.

Cheguei à carruagem bar e ali fiquei ao balcão, sem olhar para mais lado nenhum. Pedi o meu Ucal e a minha sandocha de queijo, paguei e quando me virei para regressar ao lugar... tchanaaam... lá estava ele, el matador, com o seu olhar de : - Olá garina! (de sobrancelha a subir e a descer e sorriso meio de lado)- e pressiona o botãozito que abre a porta, ronronando um «se faz favor...» e cedendo-me a passagem. Voltei a ter que dizer obrigado e retirei-me com o sorriso amarelo para o meu lugar, enquanto pensava: «- Isto não me está a acontecer, devo estar a ter delírios de sono.»...

Uns dois ou três minutos depois, o D. Juan também já estava sentado ao meu lado, do outro lado da coxia, completamente voltado para mim, à espera de uma conversa que não chegou. Já não sabendo como reagir, voltei-me para a janela e assim fiquei todo o percurso. Ia já cheia de dores no pescoço, com um género de torcicolo, sem posição, a tentar que o macho alfa percebesse que eu não estava a corresponder às suas investidas descaradas.

- Desculpe, vai a Lisboa em passeio? Desculpe a coscuvelhice!
- Não, não vou. - e já nem o sorriso consegui esboçar, estava já demasiado incomodada e irritada com a situação. Comecei então a tirar o preço da revista com a unha...
- Não faça isso, olhe que estraga as unhas!

Já nem respondi, voltei-me apenas para o lado e tentei dormir. Acabei mesmo por adormecer e acordei em sobressalto, ainda com o olhar do macho alfa em cima de mim. Perguntei à rapariga ao meu lado, que já ia acordada: - Desculpa, já passámos Entrecampos? - e antes que a miúda conseguisse responder, o D. Juan apressou-se a dizer:
- Não. ainda nem passámos a ponte.
- Obrigado! - respondi.
- Já me está a dizer muitas vezes obrigado hoje! - responde o macho alfa com o seu grande sorriso cintilante.

Esbocei novamente o sorriso amarelo e voltei-me para a janela, posição em que me mantive até final da viagem.

Quando finalmente o comboio chegou a Entrecampos, saí radiante do meu lugar e feliz, porque o macho alfa não se encontrava sentado no lugar dele. Pensei sorridente que deveria ter ido à casa de banho ou já devia ter saído noutra paragem. Enganei-me!! Estava encostado à saída da carruagem, estrategicamente bem posicionado, com pose de Tarzan, à espera que eu descesse: - Então adeus!- regurgitou.

Saí quase a correr, sem sequer olhar para trás, não fosse o macho alfa sair atrás de mim, qual filme de terror.

domingo, 28 de Junho de 2009

Sons de Cuba em Loulé

O Festival Med tem vindo a marcar cada vez mais pontos desde a sua primeira edição em 2004. É hoje um dos mais conceituados festivais de World Music e conta com um respeitável e sempre crescente número de visitantes. Já não consigo não marcar presença. Estou completamente viciada no ambiente fantástico que por lá se vive e nas sonoridades cada vez melhores que por lá se apresentam.

Sexta feira passada foi a loucura com os fabulosos Buena Vista Social Club. As entradas chegaram mesmo a esgotar para os mais atrasados. Às sete e meia da tarde já as filas se acumulavam nas bilheteiras.

Decidimos jantar por lá e foi o melhor que fizemos. Não só pelos deliciosos sabores do mediterrâneo que ali se podem experimentar, mas também porque não perdemos pitada dessa noite mágica.

A seguir ao saboroso petisco, dirigimo-nos para o palco da matriz, bastante movimentado por essa altura, onde já se conseguiam escutar os primeiros acordes quentes de Cuba.

Debaixo de uma lua linda, os conterrâneos de Fidel fizeram dançar as mais de cinco mil pessoas presentes, com sons que nos transportaram para os clubes de dança cubanos, onde a salsa é rainha e se entornam mojitos, entre uma dança e outra, para refrescar a garganta.

Há uns anos atrás a minha mãe esteve em Havana, em serviço, e trouxe de lá um CD com Buena Vista. La Vida Es Un Carnaval foi o primeiro som que ouvi destes senhores e já na altura não consegui deixar os pés quietitos no chão. Neste concerto o sentimento manteve-se ao som de Candela ou Chan Chan, entre muitos outros.

Aqui vos deixo uma pitadinha do que foi ouvir estes cubanos cheios de salero, debaixo do verão algarvio e com o estômago forradinho de sabores do mediterrêneo. =)

Arrikikiiii que me vuelvo locaaaa...lol ;)

sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Thriller Night...

Jantarada do meu aniversário... brindes... risadas... alegria.... e, de repente,... «Anaaa, acabei de receber uma mensagem, o Michael Jackson morreu!»... todos de copo na mão e boca aberta... «Estás a gozar! Não pode ser verdade!»

Pedimos rapidamente que ligassem a TV. Era mesmo verdade... todo o restaurante assistia à notícia inacreditável pela CNN, BBC, Sic Notícias, Sky News... não se falava noutra coisa, MJ tinha mesmo falecido, vítima de paragem cardíaca. O dia que assinala o meu nascimento, passou a ser o dia em que se assinala também a morte do criador do moon walk.

Obviamente que ele gerou imensa polémica e motivou muita desilusão, mas neste momento prefiro lembrar-me dele como aquele que me fez treinar vezes sem conta os seus passos de dança maravilhosos, aquele que foi a banda sonora de tantos momentos felizes da minha vida, aquele que gerava discussões entre mim e os meus amigos para decidirmos quem era o melhor, Michael ou Prince... por tudo isto e porque reconheço o seu imenso talento, vou recordá-lo algures entre o Thriller e o Bad, entre o Billie Jean e o Beat It, entre o Smooth Criminal e o Dirty Diana, entre o I Just Can't Stop Loving You (era eu tão tiniuini =]) e o Heal the World ou ainda antes, muito antes, com o Don't Stop Till You Get Enough ou o grande Can you feel it, a minha favorita dos Jackson 5...

Porque o seu legado não tem tamanho e a sua marca na história da música é indiscutível, aqui fica a minha homenagem ao verdadeiro rei da música pop.

Cheers Mr Jackson, I guess this is it... we will meet again soon... after all, we are just dust in the wind. ;)

sexta-feira, 19 de Junho de 2009

Cachorro retrete abaixo

São cenas como esta que me deixam revoltada e capaz de sei lá o quê. Como professora e educadora há mais de 11 anos, não consigo tolerar episódios desta natureza. É disto e de muito mais que falo e reclamo há séculos.

A maior parte dos pais, hoje em dia, acham que educar é isto. Não educam pura e simplesmente! Esse é um papel atirado para as escolas. Demitem-se do papel de educadores e ainda estragam o trabalho feito pelos professores que, a muito custo, tentam incutir alguns valores em crianças deste género.

Felizmente vou conhecendo excepções, pais que sabem ser pais, pais que realmente educam e fazem crescer seres humanos decentes, crianças com quem tenho o prazer de trabalhar, pessoas que ainda me fazem acreditar. No entanto, são excepções. A maior parte considera que educar como deve ser não inclui uma boa palmada na hora certa, um castigo no momento exacto, uma conversa na altura adequada... a maior parte vive «cansada», «trabalha muito», «não tem tempo», resumidamente e em bom português, não está para se chatear ou culpabiliza-se pela falta de tempo e atenção dada à criancinha e pensa que não castigar é o mais justo.

Ser pai como deve ser não é tarefa para qualquer um. Exige demasiado, estafa, esgota, e não espera que estejamos com tempo ou descansados para acontecer. É um trabalho demasiado árduo, exigente e constante.

Hoje existem os computadores, as playstations, os dvds e as televisões a educar pelos pais... dá tanto jeito ter o menino entretido com estas coisas e ter um minuto de paz e sossego. Cheguei ao ponto de ter que ouvir que o melhor era não mandar trabalhos de casa, porque isso exige que um pai controle e vigie o que está a ser feito... e não há tempo.

Por favor, quando é que esta gente vai acordar?

Depois acontecem cenas como as que presenciei há umas semanas atrás no centro de saúde. Tinha lá ido com um aluno, depois deste se ter aleijado num pulso a jogar futebol. Estava na sala de espera a conversar com o miúdo quando entra uma mulher queixosa, agarrada a um braço, cheia de dores e a choramingar, acompanhada por um agente da GNR. Tinha levado uma tareia do filho de 20 anos e dizia ela que aquela era já a nona vez que tal acontecia. Fiquei com um certo nojo da mulher. E não, o filho não era toxicodependente, era «apenas bruto» dizia a dita senhora. E orgulhava-se quando me dizia que nem ela nem o pai do anormal alguma vez lhe tinham batido... «-Nem uma chapada levou.»...

É para isto que caminhamos a largos passos. Primeiro bate na mãe, depois no professor e mais tarde na mulher.

Assistam a este vídeo, para perceberem o que me revolta na educação de hoje em dia.

Algumas perguntas:

1- Como é que um cachorro de 1 semana serve para brincar em vez de estar perto da mãe? Para a criança não há diferença entre animal e brinquedo?

2- Como é que se chega aos 4 anos de idade sem entender que banho se toma numa banheira e não numa retrete?

3- Como é que se mima uma criança que tem uma atitude destas e se ajuda a criança a encontrar desculpa para a sua atitude? (Esperemos que proximamente a criatura abominável atire com as jóias da «mamã» e com o telemóvel pia abaixo... obviamente para esta senhora estes terão mais valor que a vida de um animal. Talvez as palmadas surjam nessa altura.)

4- Como é que se volta a colocar o pobre cachorro nas mãos da criança depois de tudo o que aconteceu?

5- Como é que ainda se transforma, orgulhosamente, este infeliz episódio numa novela internacional?

Concluindo, esta senhora é um exemplo claro do que é educar para a maior parte dos pais de hoje em dia. Um permissivismo e um absentismo gravíssimo e de consequências lamentáveis para a criança e para quem com ela lidará mais tarde.

Repreender, castigar, punir, discutir, tudo isto cansa e dá trabalho... é muito mais simples relevar, não ligar, passar ao lado. Só que a educação não tolera falta de coerência. Hoje estou menos cansado e castigo-te, educo-te, amanhã estou mais cansado e é o que sa foda style, faz lá o que quiseres desde que não me chateies.



sexta-feira, 12 de Junho de 2009

The eye... it cannot choose but see

Estava a ver algumas fotos vencedoras do prémio Pulitzer 2009, quando me deparei com uma das fotos mais polémicas da história deste prémio. A foto da menina sudanesa faminta, tirada por Kevin Carter, em Março de 1993 e que chocou o mundo.

Para tirar esta fotografia Kevin Carter esperou cerca de 20 minutos que um abutre, atrás da menina, abrisse as asas. Tinha o enquadramento perfeito. Uma criança faminta que rastejava num campo de refugiados, em busca de uma refeição, e um abutre que pousado esperava a sua morte, para também ele ter o seu banquete. Uma vez que o abutre não colaborou e permaneceu de asas fechadas, o fotojornalista sul-africano desistiu de esperar e tirou várias fotos da criança com o predador tal como estavam. Mais tarde uma delas ficou imortalizada na capa do New York Times, como símbolo da fome e do horror em África.

A foto veio a ganhar o prémio Pulitzer catorze meses depois, em Maio de 1994, altura em que se gera a polémica e o fotógrafo começa a ser bombardeado por críticas lancinantes, que colocam em causa a sua ética: «Um homem ajustando as lentes até conseguir o quadro perfeito do sofrimento da menina bem pode ser visto como um predador, outro abutre em cena» ou que sugerem que a foto teria sido «encenada», questionando a sua autenticidade.

A 27 de Julho desse mesmo ano, dois meses depois de ganhar o tão conceituado prémio e de se ter tornado na sensação do momento em Nova Iorque, Kevin Carter suicida-se, com apenas 33 anos.

Mais tarde os Manic Street Preachers, no seu álbum Everything Must Go, dedicam uma música a este fotojornalista.

Apesar de já terem passado 16 anos desde que a foto foi tirada, continua a conseguir impressionar quem vê. Choca-me pensar que cenas destas continuam a repetir-se mundo fora. Não houve evolução em quase duas décadas. Continuam a ser gastos milhões em armamento e guerras de poder absolutamente desnecessárias, em detrimento do que de facto é importante.

«War doesn't determine who is right, war determines who is left.».
Bertrand Russel

sexta-feira, 5 de Junho de 2009

SOS Animais de Estimação

Anteontem voltei ao canil como vos tinha dito no último post. Fui buscar o cãozito que encontraram na estrada, prestes a ser atropelado, e que lá deixaram a semana passada.

Desta vez fui muito bem recebida e o encarregado de serviço quis mostrar-me o que estavam a fazer. Levou-me para uma sala onde se encontrava um homem a mexer uma panela gigante, para a qual estavam a ser atirados nacos de carne, fora de prazo, chegados dos hipermercados das redondezas. Penso eu que ainda em condições, apesar de ultrapassada a data de validade registada nas embalagens (quero acreditar que sim).

- Eles comem o mesmo que nós, está a ver? Veja bem. Andam para aí a dizer que matamos os cães. Veja bem isto... (e mostrava-me embalagens de frango e de legumes que descarregava do carro e entregava na sala da panela gigante).

Sei que não é de todo a melhor alimentação, especialmente para cães bebés (todos os que aqui me chegaram vinham com diarreia), mas dada a falta de verba para estas coisas, é bem melhor que nada... assim a comida esteja ainda em condições.

Quis ver os quatro cãezitos que ainda mamam e para quem já arranjei também dono, aqueles que estavam na tampa da caixa há duas semanas. Levaram-me para os fundos do canil, para uma zona onde se encontram cães mais pequenitos e frágeis ou demasiado doces para se misturarem com os grandes das boxes. Fiquei besuntada de mijo e trampa num ápice, mas era impossível fazer aquele percurso e sair intacta. Todos me saltavam às pernas como que a dizer: - A mim, a mim, escolhe-me a mim... - não é fácil sair de lá com um cão só, a vontade que temos é resgatar todos. No meio de todos aqueles estava uma franjolas preta e branca com uns 3 meses, que se sentou e inclinou a cabeça deixando aparecer um olhito apenas e que me fez esquecer que ali tinha entrado para ir ver os quatro bebés. Num impulso disse à senhora que ali estava comigo: - Esta... quero levar esta também.- a senhora sorriu e apenas disse: - Vais sair daqui também maluca?...

Os quatro cãezitos ainda não estavam prontos a sair, portanto vim embora com o lobito e a «maluca»... que, por sinal, não tinha ainda dono, mas que eu tinha esperança de arranjar... havia um aluno interessado num cão... se esse não quisesse, havia de existir, na escola, quem não resistisse aos encantos da franjolas. Fui pô-los em casa com água e comida, tomei um duche, mudei a roupa, que tresandava a trampa, e zarpei para uma formação que estava a ter e para a qual já ia muito fora de horas.

Quando cheguei a casa... não, não imaginam... o chão da minha varanda da cozinha era um paraíso para as moscas, parecia o canil. E os dois resgatados? Patinavam entretidos em cima das suas bostas. Pareciam bem dispostos... já eu... =/

Vá Ana! Veste a farda da lixívia, agarra na bela da esfregona (ai como adoro um bom balde e uma boa esfregona) e esfrega... Os 40 minutos que se seguiram foram de um prazer intenso, a apanhar tudo aquilo e a lavar a varanda de ponta a ponta, até não restar um vestígio da nova e indesejada decoração.

A seguir? Não, não houve descanso... a seguir tinha duas pestes a olhar para mim e a precisar de um banho de duas horas cada. Banheira com os dois! Toca a tomar o primeiro banho e a dizer adeus ao cheiro nauseabundo e à vida de canil, que com ele descia ralo abaixo.

Depois? Depois havia uma casa de banho a precisar de regressar ao seu estado original... toca a limpar a casa de banho.

Finalmente a minha vez de relaxar num banho de horas. O dia terminou com uma bela refeição para todos, umas brincadeiras na relva do jardim da urbanização e um passeio pelas redondezas.

Chegados a casa, caímos para o lado e só abrimos o olho debaixo do sol do dia seguinte.

Altura de dizer adeus. Levei os dois para a escola. À entrada estava uma das gémeas que ficou com o lobito e a meio da manhã, uma professora maravilhosa, apaixonou-se pela franjolas e levou-a para casa com ela.

Final feliz para os resgatados desta semana.

Tigradita - Hoje chama-se Pipoca e pertence ao Diogo. Já foi ao veterinário. Vive feliz.

Franjolas - Hoje chama-se Twiggy e pertence à professora Lya. Tem por companheiro de brincadeiras um labrador de 6 meses e um imenso terreno para paródias. Vive feliz.

Lobito - Hoje chama-se Óscar e pertence à Maria e à Inês, as duas gémeas que o receberam. Já foi ao veterinário. Vive feliz.

Coxinho mais lindooo - Hoje chama-se Joca e pertence à melhor avó do mundo, a minha. =) Já foi ao veterinário e é um poço de mimos. =) Vive feliz.

Para a semana saem os 4 bebés.

Assim termina a Área de Projecto do 6ºA, após um ano inteiro de trabalho, campanhas de sensibilização, angariação de bens e adopções.

Ao todo foram salvos 8 cães, mas é pouco, muito, muito pouco.

Por favor adoptem animais, visitem os canis, apadrinhem... AJUDEM!

Eu sei que não é fácil olhar para um animal fedorento e sujo, com parasitas presos ao focinho, subnutrido, ferido e imaginá-lo de banho tomado, desparasitado, de pelo bonito, sem cheirar mal, saudável e bem alimentado, mas todos eles se podem transformar em animais lindos e os mais fiéis ao dono que possam imaginar, porque mais do que qualquer outro, estes animais reconhecem o valor de um dono que os resgata de uma vida miserável e de sofrimento. Garanto-vos que a felicidade que vem de recuperar um animal destes não tem explicação possível. Tudo dá trabalho, nada aparece feito, mas a recompensa será imensa e a satisfação inenarrável.

Deixo-vos com um vídeo de alguns casos felizes, de cães em quem os novos donos acreditaram apesar de os verem em péssimas condições. Adoraram-nos de qualquer maneira e deram-lhes uma segunda oportunidade. Mudaram-lhes a vida.

Ficam também algumas fotografias de uma turma maravilhosa, com quem adorei trabalhar os últimos dois anos da minha vida e de quem me despeço este ano. Para eles um enorme obrigado.

Para terminar, deixo-vos também o link do documentário Earthlings, em português Terráqueos, vencedor de vários prémios e que traz até nós uma realidade dura e que todos temos a obrigação de tentar mudar. (Aviso que as imagens são demasiado fortes, mas por vezes é necessário olhar para elas com os olhos bem abertos, visitar uns canis e perceber que estas coisas existem... a nós cabe mudá-las. A minha turma assistiu a este documentário sem dizer uma palavra... foi assim que arrancou a nossa Área de Projecto... eles perceberam e são apenas crianças de 12 anos).




Ver o documentário Earthlings (Terráqueos)

AQUI

terça-feira, 2 de Junho de 2009

Canil Municipal de Olhão

Pois é, Olhão, essa grande localidade, muito falada ultimamente pelo seu futebol, mas uma vergonha no que se refere ao tratamento dos seus animais de estimação.

A cidade dispõe de um "pseudo" canil, que não se parece com coisa nenhuma e de governantes que se preocupam apenas com o que é mediático e, consequentemente, lhes dê mais alguns votos.

O canil não dá votos, pensam eles. Enganam-se! O meu já dançou.

O motivo da minha revolta? Passo a explicar: em tempos escrevi ao Sr. Presidente da Câmara, para lhe falar de um projecto que estava a desenvolver com os meus alunos, na escola, e que se intitulava «SOS Animais de Estimação». Expliquei que gostaríamos de saber as necessidades do canil, para fazermos uma campanha de angariação de bens e que gostaríamos também de visitar as instalações, com o objectivo de fotografar os animais que ali se encontravam para adopção. Com essas fotos construiríamos, posteriormente, uma página na internet que aumentasse as possibilidades de adopção. O digníssimo nem se deu ao trabalho de responder.

Acabámos por trabalhar com outros canis, cujos responsáveis se interessaram e se prontificaram a colaborar. Tudo isto começou em Outubro.

Ainda assim fiquei com pena dos animais que se encontravam enjaulados naquele pseudo canil e fui lá em Dezembro, com a minha avó, adoptar um cão.

Dei voltas e mais voltas de carro, na zona onde me tinham dito que funcionava o canil. Nem uma placa, nem um nome na entrada que identificasse o sítio, nadaaaa... nada há na cidade que publicite a existência do local, nenhuma placa que ajude quem não conhece a chegar às instalações, nada.

Parei então num lugar onde vi entrar uns camiões de recolha de lixo, para perguntar se me sabiam dizer onde funcionava o canil municipal. Fui atendida, por um homem mal formado e sem qualquer capacidade para lidar com o público. À minha pergunta a personagem respondeu:
- O que é que quer do canil?
- Adoptar um cão!
- O canil é ali ao fundo. (E apontou para um caminho de terra batida, ladeado por contentores de lixo, armazéns e camiões de recolha de resíduos)
- Ali onde exactamente??!!
- Ali ao fundo, não está a ver??!! A seguir à palmeira, à esquerda. Está lá uma mulher, logo fala com ela.

Fui chamar a minha avó ao carro e lá nos dirigimos ao dito canil.

Chegadas ao local, nem queríamos acreditar no que os nossos olhos viam. Um corredor com boxes só do lado direito, num sítio que não via a luz do sol durante a maior parte do dia (apesar de não estar em recinto fechado). Umas 4 ou 5 jaulas com uns 3m de largura por 4 ou 5 de comprimento, completamente abarrotadas de animais, que se mordiam uns aos outros, em brigas constantes, cheios de mazelas e sujos como tudo. O cheiro era nauseabundo.

O horário das adopções e visitas é de segunda a sábado, das 11:30h às 13:30h, mas é exactamente nessa hora que é feita a lavagem das boxes, com os animais lá dentro (os infelizes não saem de lá em hipótese alguma. Fazem lá as necessidades, comem, dormem, brigam, adoecem e morrem). As pessoas que tentam visitar as instalações são quase que enxotadas do corredor das ditas, com a água imunda que lhes atiram para os pés. Se não forem muito apaixonadas por cães desistem de resgatar um animal.

A minha avó acabou por trazer um cachorro com um ano, coxo de uma pata, que se encontrava nos fundos do canil (este ninguém quer porque é coxo - dizia a mulher que nos recebeu). Hoje está lindo e chama-se Joca.

Há umas semanas voltei lá com uma amiga e colega da escola. Queríamos levar dois cães bebés para dar a duas pessoas que tinham pedido. Quando lá chegámos, vimos cães que já estavam nas jaulas em Dezembro... continuavam no mesmo sítio, nunca sairam dali em seis meses, nem para esticar as pernas.

Mostraram-nos uma cadela tigradinha ali deixada, porque os donos não eram portugueses e regressaram a um país de Leste qualquer. Enquanto nos mostravam essa delícia, reparei que atrás de nós estava a tampa de uma caixa, com quatro cães que nem os olhos ainda tinham abertos. Perguntei porque razão estavam aqueles quatro ali. Responderam-me que estavam ali para «pôr a dormir». Indignada perguntei porque carga de água matavam eles cães bebés, visto que eram os mais procurados pelas pessoas. Não me responderam. Pedi que pusessem os cães junto à mãe, que eu me comprometia a ir buscá-los três semanas depois. A custo, e depois de falarem com o encarregado, lá voltaram a pôr os cães com a mãe.

Pedi que cuidassem da tigradinha que ia arranjar dono para ela também. Encontrei um dono cinco estrelas para a cadelita. Passou o fim de semana comigo e depois de uma banhoca, foi entregue ao novo dono, que se apaixonou por ela na hora.

Quando fui buscar a tigradita, estava a dar entrada um cãozito com cerca de dois meses e meio, levado pela mão de uma mulher que dizia tê-lo encontrado na estrada, prestes a ser atropelado. Não resisti e pedi que o pusessem a salvo, que ia arranjar um dono também para ele. Pelo que sei, enfiaram-no num sítio com gatos.

Antes tinham-no atirado para dentro de uma sala que tresandava a éter. Eu própria não aguentei o cheiro e já tinha os olhos a arder. Imaginem os cães que têm um olfacto não sei quantas vezes mais apurado que o nosso. Nem quero imaginar porque é que aquela sala tinha aquele cheiro, nem o que estariam a fazer.

Já encontrei donas para o pobrezito e vou tirá-lo do inferno amanhã, mal abra o canil.

Eu sei que há canis municipais a funcionar como deve ser, com as pessoas certas a dirigi-los, pessoas com a sensibilidade adequada, mas este não é de todo o caso do canil municipal de Olhão.

Dizia Ghandi que a grandeza de uma nação pode ser julgada pelo modo como os seus animais são tratados... sinto Portugal pequenino, pequenino... a long, long way to go still.

Para mais informações sobre o que tem vindo a acontecer neste canil. podem consultar:

segunda-feira, 25 de Maio de 2009

Happiness is only real when shared... someone said

Felicidade, esse tesouro escondido para lá do arco-íris, perseguido por todos, mas acessível apenas a alguns, trancado a sete chaves e guardado por bestas de várias cabeças.

Ontem senti-me como se tivesse conseguido descobrir o caminho para o outro lado das sete cores... assim, sem querer, por mero acaso... como se as energias do universo se tivessem esquecido de ligar os alarmes e trancar as portas.

Ninguém prometeu que uma vez encontrada, duraria eternamente. Tudo o que posso dizer é que o sorriso continua comigo.

Magiiic =)

domingo, 24 de Maio de 2009

Because... Life's for sharing ;)

Cerca de 13500 pessoas foram contactadas via sms, para comparecerem em Trafalgar Square, Londres, durante a realização de uma campanha da T-Mobile. Receberam da mão dos organizadores um microfone e, sem esperarem por isso, depararam-se com uma sessão de karaoke colectiva. Unidos pararam a cidade enquanto cantavam o famoso Hey Jude dos Beatles...

Um momento incrivelmente arrepiante e bonito.

Ora vejam. =)

segunda-feira, 18 de Maio de 2009

Mankind Is No Island

Esta foi a curta-metragem que ganhou, em 2008, o Tropfest, aquele que é considerado o maior festival de curtas do mundo e que se efectuou pela primeira vez em Nova Iorque, o ano passado.

Jason Van Genderen foi quem genialmente a realizou e produziu, com um orçamento de apenas 30 euros.

Simples, profunda, brilhante! Toda ela filmada com um telemóvel.

Cruza duas cidades, Sidney e a famosa Big Apple, e fala-nos dos sem abrigo e da indiferença da sociedade em que vivemos perante aquilo que de facto é importante, as pessoas. Para tal, usa apenas sinais de rua, retirando deles as palavras mais relevantes, de acordo com a mensagem que pretende transmitir.

Aqui vos deixo Mankind Is No Island.

Enjoy!


*Dica de André Costa

domingo, 17 de Maio de 2009

O orgulho do Algarve somos nós móóóóóh! =D

Não posso deixar este feito passar em branco. Tenho que tirar o chapéu ao clube de futebol da terrinha, Sporting Clube Olhanense, que hoje obteve o passaporte para a 1ª liga. Sim, é verdade, o nosso Algarve volta a ser representado, na elite do futebol português, através deste grande clube.

Parabéns Olhanense! Merecíamos esta vitória mais do que ninguém.

Finalmente o estádio do Algarve vai passar a servir para mais do que concertos e festivais. É agora que começo a ver os jogos do Sporting pertinho de casa. =)


Cantemos todos a hora é de festa
O Olhanense vamos apoiar
Não há alegria maior que esta
A nossa equipa unida a jogar

Jogaremos mais e melhor
Lutaremos com arte, alegria
E sentiremos de novo o ardor
Do renascer da alma Algarvia

Olhanense, Olhanense, à vitória
Bradam vozes das gentes de Olhão
A nossa força é a nossa história
És nosso clube, nosso campeão

E com saudade alguns recordamos
Os passados momentos de glória
Com muito treino e coragem façamos
Brilhar de novo a chama da vitória

Olhanense em ti confiamos
Tens contigo o calor da mocidade
E orgulhosos todos te aclamamos
Tu és a alma da nossa cidade

Olhanense, Olhanense, à vitória
Bradam vozes das gentes de Olhão
A nossa força é a nossa história
És nosso clube, nosso campeão

quarta-feira, 13 de Maio de 2009

Olivetree

O melhor som que se faz em Portugal vem do Porto... Olivetree, mistura o som do fabuloso didgeridoo, tocado brilhantemente por Oliver, com uma contagiante percursão. A verdadeira homenagem à música de dança, feita apenas com instrumentos acústicos.

A primeira vez que vi e ouvi os Olive, foi no Festival Med, em Junho de 2007. Um banho de energia para todos os que partilharam aqueles momentos comigo. Impossível não pular, dançar, ficar bem disposto e não chorar por mais no final.

A não perder.

Hoje, na Semana Académica do nosso Algarve, as boas vibrações de Olivetree. ;)

Enjoy!

segunda-feira, 11 de Maio de 2009

Buy me another drink, you're still ugly!

Ora digamos que esta treta que fiz à cara não foi a ideia mais inteligente que tive nos últimos tempos. Ainda não passou uma semana de tratamento e já não suporto sentir a cara repuxada, cheia de pele a cair, a arder, vermelha, nojentaaaaa...

Ainda por cima, com tanto dia no ano para fazer esta trampa, resolvi pôr as intenções em curso mesmo antes da semana académica. Nem em tal pensei, só me ocorreu que a fazer isto, tinha que fazê-lo antes do verão.

Claro está que na sexta-feira, enquanto tudo saía para se divertir, a monstrinha ficou em casa, infeliz e a sentir-se miserável, com a cara feita num frangalho.

- Tou? Inês? É a Ana. Olha não vou poder ir hoje à semana académica, estou com aspecto de leprosa e com a cara em chamas... arde que se farta, não vai dar para ir.

- Olha gaja, tu faz como quiseres, mas amanhã tens que vir ao jantar, com ou sem cara, mas vens!

A Ana, foi dormir para tentar esquecer a situação e cheia de esperança que um milagre ocorresse durante a noite e transformasse a monstra em bela, a tempo do «baile». Claro está, que como se trata da dura e triste realidade e não de um conto de fadas à moda antiga, daqueles com direito a fada protectora, magia, feitiços e varinhas de condão, aqui a matrafona acordou tipo cão com sarna em fase terminal. A cara assemelhava-se a um acidente de viação, género bicicleta contra camião tir. O pânico instalou-se por alguns momentos... E agora Anaaaa??? Como não pensaste na p"#$# da semana académicaaaa?? Como pudeste ser tão burraaaa e dar cabo da tromba logo agora que tens um jantar marcado com 90 pessoooooas???... Depois do pânico momentâneo, a monstrinha pensou: Mas olha lá, és alguma barbie?? Alguma vez foste?? Pretendes ser?? F****** a cara toda, pronto! Está feito, está feito! Convive com isso e sai de casa. E foi assim que resovi levantar a ponta da batata e sair, como se fosse a Angelina Jolie, cheia de moral e auto-estima.

A auto-estima durou o tempo do percurso até ao dito jantar, hora em que o bombardeamento de perguntas começou:«-Credooo!!! O que tens na cara??»; «-Aaah!! Foste para a praia e não levaste o protector. Quiseste o bronze todo de uma só vez.» ou «-Aaargh! Posso dar beijinho?»... ouvi de tudo e digamos que pensei mesmo porque carga de água estava eu ali em vez de estar internada na unidade de queimados do Hospital de Faro. Safou-me a minha Maria Inês, que lá começou a responder por mim a todos os curiosos: «- Ahh não te preocupes com a cara dela. Caiu num balde de ácido e lixívia com que costuma lavar as escadas lá de casa. Isto passa-lhe!»... ahahaha... mas, bem ao "que sa f*** style", comecei a beber uns copos e a fazer uns brindes e a coisa amenizou. Eu comecei a esquecer que tinha a cara tipo empadão e as pessoas à minha volta começaram a achar que estava com óptimo aspecto, bronzeadinha como se tivesse ido surfar, com um look praia muy sexy. Tenho uma t-shirt que diz «Buy me another drink, you're still ugly!», pois foi mesmo isso, nada como uns brindes e mais tarde uns shots para me transformar de monstro em beldade.

A verdade é que me diverti imenso, reencontrei amigos que não via há séculos, dancei, ri, conheci gente bacana e a p**** da cara não conseguiu dar cabo da noite. Talvez a máxima que diz que o que conta é o interior e não o aspecto exterior, não seja tão «yeah, right!» como se pensa. Pelo menos depois de alguns copos. ;)

A noite acabou às 7 da manhã, arrastados pelo Tiago para uma padaria deliciosa, para manducar pastéis de nata quentinhos e croissants com aquele chocolate au point... hmmmm, tão bom! =)

Faltam mais duas semanas de tratamento. A pele já caiu quase toda, não sei se continuará a cair até ao osso. Agora mantêm-se umas manchas vermelhas, que espero que desapareçam com o continuar deste maravilhoso tratamento.

Aaaah sofrer para bela ser... vou ficar com cara de cú... de bebé depois disto, é o que se diz por aí. =) Depois conto.

terça-feira, 5 de Maio de 2009

Aventuras de grelo...

Hoje acabei as aulas e fui toda lampeira para um centro de estética, onde tinha marcado um tratamento à pele da cara, que prometia eliminar toda e qualquer manchinha (fosse ela de sol ou de outra origem). O que ninguém me disse é que, as simpáticas senhoras, me iam encher a cara de uma pasta castanha que tinha que permanecer por oito horas na pele. Para ser mais explícita, cheguei à dita clínica por volta das quatro da tarde... sim, exactamente, só podia tirar a maravilhosa máscara à meia noite.

- Pronto! Já está! Pode ir para casa.
- Como assim «pode ir para casa»?!! Parece que me atiraram com uma terrina cheia de mousse de chocolate à tromba!!
- Pois! Não sabia?! Ninguém lhe disse que era assim?!
- Nãooooo!!!!
- Não pense nisso! Vá de cabeça em baixo que ninguém nota. É importante que fique com ela até à meia noite. Pode levar a nossa fitinha que tem na cabeça a segurar o cabelo.

Após uns minutos de pânico, percebi que não era brincadeira, tinha mesmo que sair dali naquele estado.

O carro esse, estava parado bem longe, porque, para não variar, não havia estacionamento por perto.

Saí da clínica e não conseguia conter o sorriso. As pessoas olhavam para mim com ar de espanto e abriam a boca o mais que podiam, enquanto arregalavam simultaneamente os olhos. Deviam pensar:

- Coitada!! É louca!! Há tanta pessoa demente pelas ruas da cidade!

...ou...

- Xiiii... esta chateou alguém que lhe esfregou o focinho num monte de bosta.

...ou...

- Foi para a pastelaria lanchar e não pagou, esfregaram-lhe com o bolo na tromba. Bem feito!

A verdade é que não sei em que pensavam. Levava apenas os olhos e a boca a descoberto, o resto estava e estááá totalmente coberto por uma espécie de lama que arde como tudo e que, supostamente, me arrancará a pele da cara. =S E ainda paguei para me fazerem isto....

Vamos ver como vou acordar amanhã... preveniram-me para a possibilidade de acordar de olhos inchados (ligeiramente dizem elas) e com a cara vermelha, como se tivesse apanhado um enorme escaldão.

Can't hardly wait!! À meia noite transformo-me numa abóbora. =))
Neste momento estou a ter reunião de condomínio e estou a tentar não fazer muito barulho, para evitar que me venham bater à porta: - Olhe, por ventura, esqueceu-se da reunião?? Ahhh!!! O que lhe aconteceu à cara??...

segunda-feira, 27 de Abril de 2009

36 anos juntos... é muito ano =)

Era bom que ainda existissem amores como este... neste tipo de amor eu acredito. Com muito orgulho, foi nele que fui gerada.
Parabéns aos melhores pais do mundo. ;)


If you're a bird... I'm a bird. *

domingo, 26 de Abril de 2009

Como o macaco gosta de banana...

Ontem tive a chamada noite, verdadeiramente, hilariante.

Depois de um belíssimo jantar na praia da Rocha, entre risadas, copos de um vinho fabuloso, recordações do tempo de estudante, conversas sobre os filhos dos outros e sobre o meu cão (quem não tem filhos fala dos animais de estimação), segui com um amigo, que já é mais irmão, para uma noite que se adivinhava inesquecível...

Íamos directos à semana académica de Loulé, essa bela cidade, para assistir ao concerto de uns amigos, que actuavam antes do grande José Cid, o verdadeiro ícone da música portuguesa.

A chuva que entretanto começou a caír, parecia querer avisar-me para ter juízo e dar meia volta em direcção a algo mais motivante, mas não... a Ana é teimosa e seguiu com o previamente planeado. Semana académica here we go.

Dez euroses para começar. O concerto dos amigos já tinha acabado e o grande Cid entrava em palco, com os seus marcantes óculos de sol. As suas cordas vocais presenteiam-nos então os ouvidos, com o famosíssimo tema Cai Neve em Nova Iorque (há sol no meu país)... a coisa compunha-se e a chuva essa, caía cada vez mais forte na nossa pinha.

No meio de um público que cantava tudo e dançava como se não houvesse amanhã ou como se não estivesse a chover, fui contagiada pelo ritmo alucinante em meu redor e, já que ali estava... ajoelhou tem que rezar... vamos a isso, dança Ana, esquece a chuva. A febre foi ao rubro com os hits Como o Macaco Gosta de Banana e Favas com Chouriço, isto para não falar da balada da cabanita junto à praia... até temas que só conhecia cantados pelas doce, este grande senhor cantou... Fecha a porta, apaga as luzes... lá lá lá lá lá lá, lembram-se? Foi o riso total, o delírio elevado ao seu expoente máximo.

Acabado este concerto memorável, deu-se seguimento à noite brilhante dentro de uma tenda de música, onde a qualidade do que se fazia ouvir era no mínimo duvidosa. Desculpem-me a falta de cultura musical, mas nem vos consigo explicar que género era aquele... imaginem uma mistura de Kizomba, com Reggaeton e Kuduro... sim isso, era por aí mesmo. Aqui, tive que me afastar para uma das extremidades do recinto, pois fomos violentamente abalroados por um grupo de jovens alienados, atacados de um histerismo colectivo, que se abanavam, quais chefes tribais, numa coreografia inenarrável.

Depois de nos doerem os abdominais de tanto rir, sentimos uma necessidade gigantesca de sair dali e, debaixo da chuva torrencial que por essa altura se fazia sentir, corremos para o carro, para não mais voltar.

quarta-feira, 22 de Abril de 2009

The answer must be in the attempt

"If there's any kind of magic in this world it must be in the attempt of understanding someone... sharing something... I know, it's almost impossible to succeed, but... who cares really??? The answer must be in the attempt."

sexta-feira, 17 de Abril de 2009

Revival (part 2)

Vá podem gozar-me à vontade e rir do meu lado agarradíssimo ao passado, que em nada atraiçoa o signo que me apadrinhou à nascença... Mais uma vez, a provar que sou uma caranguejinha 100%, confesso-vos que me lacrimijei todinha (como diz o meu querido Ora) ao ver e ouvir estes genéricos, de alguns dos melhores desenhos animados da minha infância.

Foi com enorme saudade que fui imediatamente transportada para uma sala de paredes verde musgo, com sofás ao xadrez laranja e estantes ainda muito 70's style. A televisão bem antiga e ainda com apenas dois canais.

Sentados com o rabiosque na bela da alcatifa e os olhos bem fixos no ecrã, eu e o meu irmão, deliciados, a absorver cada segundo destas séries intemporais, os verdadeiros clássicos.

Digam o que disserem, a verdade é que já não se fazem mesmo desenhos animados como antigamente. O que chorava com as desventuras do pequeno Jacky, cuja mãe fora brutalmente assassinada por insensíveis caçadores (como os odiava), o que me divertia com as aventuras de Bana e Flapi, como sabia de cor as letras de todos estes genéricos e muitos outros... éramos mesmo felizes, mesmo, mesmo.

Para além dos míticos exibidos no vídeo abaixo, ficaram a faltar :

Era capaz de estar aqui mais umas horas a enumerar tudo o que nos fazia vibrar nesta altura.

Aqui vos deixo uma boa compilação de maravilhosos tesourinhos.

Boa viagem para quem ainda se possa lembrar do que aqui vai (re)ver. ;)


quarta-feira, 15 de Abril de 2009

Porque recordar é viver... Bons tempos estes =)

Corria o ano de 1988, tinha eu os meus 13 aninhos =D... beijos na boca: ZERO; namorado: ZERO; paixões:para além dos Bros, Rui Xabregas, o estiloso de olhos verdes e boca carnuda, da secundária, que me fazia perder horas na sala de convívio a ver uma bola de ping-pong saltar de um lado para o outro (=D...que pancadão); amigos: bastantes; sonhos: imensos; felicidade: a perder de vista...

Belas tardes passadas em casa da Verónica, a fazer toda a coreografia deste belo som, alinhadinhas com a Gilda, a Carla, a Iolanda... parece que nos estou a ver, excitadíssimas, a discutir qual dos manos era o mais bonito e quem tinha mais pósteres desta banda de qualidade duvidosa que, vá-se lá saber porquê, não vingou. =)))


Ainda hoje sei os passos e a letra de cor, que riso... o mundo era nosso. =D Bons tempos! =))


segunda-feira, 13 de Abril de 2009

Um dia é da caça, o outro...

Hoje em dia o papel do homem e da mulher na conquista do parceiro, chamemos-lhe assim, está um pouco confuso.
É certo e sabido que, no jogo da conquista, o prazer de «caçar» não pode ser aniquilado, sob pena de cairmos na chamada relação relâmpago, que mal começou já acabou... se é que alguma vez chega a começar. Perde-se a magia, o entusiasmo, o gozo, o encanto... e o jogo termina ainda antes de ter início.

Diz-se por aí que o homem é quem detém o papel de caçador, legando à mulher o papel de presa... diz-se, portanto, que compete à mulher a arte da sedução e da fuga, mantendo o homem sempre interessado em desenvolver a sua táctica de captura. Esta permitirá que chegue, finalmente, ao tão desejado "troféu"... friamente falando.

A verdade é que, como mulher, também sinto um certo prazer na conquista, se é que me faço entender... Também gosto de ver estimulado o meu interesse, na medida em que um homem que se revele demasiado perde muito do seu charme. A arte está, então, no doseamento. É aqui que reside o busílis da questão... saber dosear uma coisa que nos quer sair do peito a todo o custo, e de uma só vez, e não pode... ou não deve.

Em jeito de confissão, devo dizer que tenho uma certa dificuldade em alinhar agulhas... ou estou mesmo desinteressada e desempenho na perfeição o papel da presa, inconscientemente, conseguindo fiéis seguidores, que nunca alcançarão o seu "prémio" (segundo alguns, isso transforma-me no que hoje se chama uma cockteaser) ou, pelo contrário, estou tão interessada que deixo cair por terra as regras do jogo e ando de coração pendurado ao peito, "dificultando" o papel ao caçador.

As regras sei-as todas, as intenções são sempre as melhores, mas o resultado sai quase sempre adulterado. Isso acontece, claro está, porque, ao contrário do que muitos já estarão a pensar, não sou aquela cabra fria e calculista, disfarçada de presa ou de leoa... não, não se trata disso. Tudo o que descrevo acima não passam de meras constatações do que naturalmente acontece nas relações, sem que haja premeditação (pelo menos na sua grande parte, haverá uma ou outra circunstância em que as atitudes poderão ser (co)medidas, com segundas intenções, mas, no geral, tudo acontece inconscientemente).

Segundo consta, a natureza é sábia, nós é que complicamos tudo.

sexta-feira, 10 de Abril de 2009

E assim nasce o chamado Ovo da Páscoa...

Páscoa feliz! Que os ovinhos nunca vos faltem. ;)

terça-feira, 7 de Abril de 2009

Funeral Blues

Há dias falava com um amigo meu que estava demasiado em baixo. A namorada tinha partido e agora não encontrava mais sentido para os seus dias... antes dele uma amiga na mesma situação, não queria ver ninguém, apenas pedia que a deixassem só... e, antes deles, eu própria...

O sentimento de perda assume comportamentos estranhos nas pessoas. Seja ele imposto por morte ou separação, sentimos sempre que nada mais faz sentido e a vida do mundo faz-nos confusão. A vontade que temos é de gritar e fazer com que todos percebam a nossa dor e a respeitem... que não vivam, que não riam, que não se mexam, que não respirem... pelo menos até a nossa dor se dissipar.

W. H. Auden conseguiu escrever um poema que, quanto a mim, exprime este sentimento amargo na perfeição.

A primeira vez que o ouvi, foi no filme «Quatro Casamentos e um Funeral», recitado na cerimónia fúnebre de uma das personagens. Achei-o brilhante.

Aqui vos deixo o sentido Funeral Blues ;)

Stop all the clocks
Cut off the telephone
Prevent the dog from barking with a juicy bone
Silence the pianos
And with a muffled drum bring out the coffin
Let the mourners come

Let the aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message "He is dead"
Put crepe bows around the white necks of the public doves
Let traffic policemen wear black cotton gloves
He was my North, my South,
My East and West
My working week
And my Sunday rest
My noon, my midnight,
My talk, my song
I thought that love would last forever
I was wrong...

The stars are not wanted now: put out everyone
Pack up the moon and dismantle the sun
Pour away the ocean
And sweep up the wood
For nothing now can ever come to any good.

W. H. AUDEN



sábado, 4 de Abril de 2009

Tempo de descanso... dizem alguns

Pois é... férias, tempo de descanso, tempo para recuperar energias e arranjar um bom stock de boa disposição e força para enfrentar mais um período de trabalho, com um sorriso no rosto.

Hoje acordei da melhor maneira possível e decidi dar continuação às boas vibrações, com um magnífico passeio de bicicleta.

Tirando partido do facto de residir no Algarve e de, por estas bandas, gozarmos sempre de bons dias de sol e calor, resolvi tomar um super pequeno almoço, vestir uma t-shirt e uns calçõezitos e sair para umas pedaladas.

Tudo poderia ter sido perfeito, não fosse o sol queimar como se não houvesse amanhã e eu ter apanhado um senhor escaldão nos braços... pior, pior, foi mesmo a brutal marca que a braçadeira do iPod me deixou no braço esquerdo... pareço uma zebra (que fashioooon =]).

Cheguei a casa morta, depois de ter feito 20kms a ouvir o Somewhere over the rainbow... caí na cama e adormeci que nem um bebé, até ser acordada por quem?? PELO SR. TRUFLAS... who else??!! =D

«Olá primaaa!!! Desculpe lá se pensei que às 19 horas já não ia atrapalhar o sono de ninguém!» =))))

AAAAAAHHHHHHHH, se não fosses quem és tinha-te transformado mesmo num sapo. =D

Antes de ti o Sr. Carlos Sousa, que também achou que a hora era a ideal para me mandar mensagens de telemóvel.... e antes dele os papás, que me ligaram para o fixo e deixaram tocar o telefone durante quase 3 horas (pelo menos foi o que pareceu) =)

Enfim, férias, tempo de descanso, dizem alguns... ;)

Foto by Carlos Sousa

sexta-feira, 3 de Abril de 2009

I feeeeel gooood


Fériaaaas, fériaaaas... estou finalmente de fériaaaas...

FREEEEEDOOOOOOM =D =D =D =D =D =D =D =D =D

terça-feira, 31 de Março de 2009

A t-shirt do ano


No comments! Enquanto o pessoal for tendo capacidade para brincar com isto, é porque a coisa ainda não bateu no fundo. =)

terça-feira, 24 de Março de 2009

Ara Batur

Hoje estou a morrer de sono, porque dormi menos de três horas a noite passada, por isso não vou alongar-me num post maçudo... apenas vos deixo um som maravilhoso, do mais recente projecto de Sigur Rós, Með suð í eyrum við spilum endalaust, intitulado Ara Batur.

Oiçam-no até ao fim. É grandito, mas garanto-vos que vai valer a pena. Um crescendo a partir dos 4min e 30, que se torna brutal aos 7mim e 45 e nos deixa todo o corpo arrepiado, num orgasmo melódico indescritível.

Ladies & Gentlemen, para vocês Sigur Rós... clap clap clap =)

Enjoy! ;)



segunda-feira, 23 de Março de 2009

Yes, indeed!


...What does it mean "the right man"... "the love of your life"??!!... The concept is absurd! The idea that we can only be complete with other person it's evil, right?...
Julie Delpy, Before Sunset

Current mood: Feeling weary and small... =(

Orazinho... dás-me um bocado do teu chocolate?? Aquele mágico... Guess I'm needing it ... BAH... (slaps her face and just goes to sleep).

domingo, 22 de Março de 2009

A estreia do «coiso», do «zarelho» ou se preferirem... do dito sensor NIKE


Pois muito bem, aqui a atleta de alta competição saiu hoje, em passo de corrida, para experimentar o dito... cheia de pica e com o equipamento quaaaase todo. =)

Da alucinante experiência, deixo-vos aqui alguns conselhos:

Ponto 1- Nunca vos passe pela tola levar um cão atrelado. Se pensam que ele desata a correr e vos faz voar e marcar pontos, enganam-se redondamente. Os supostos melhores amigos, preferem borrar e mijar em todo o sítio, obrigando-vos a parar de 100 em 100 metros (isto faz-vos ter um tempo excelente... record mesmo);

Ponto 2- Se pensam que podem correr sem a tal sapatilha maravilhosa e xpto, criada mesmo para o sensor, desenganem-se mais uma vez... o estropício do coiso, zarelho ou o que lhe quiserem chamar (o gajo merece mesmo os nomes todos), escorrega que se farta e enfia-se, qual pedra no sapato, nas zonas mais inconvenientes da palmilha, fazendo-vos pagar caroooo o facto de o terem tentado enfiar numa sapatilha que nem NIKE é (eu gosto tanto das minhas Adidaaas);

Ponto 3- A braçadeira própria para o iPod também é muito fashion, mas é tão giro quando queremos mudar de música e, como não vemos um rabo, carregamos no sítio errado e a mulherzita começa logo a berrar: «- Press the center button to resume your workout...» ou algo parecido... é desnecessário dizer que, com o cão na outra mão, a missão torna-se praticamente impossível... quando damos conta, já passou não sei quanto tempo com o dito a funcionar e connosco a andar a passo de caracol;

Enfim, a experiência correu muito bem... fui uma grande ajuda para o sexo feminino, 5 kms e 700 m em 45min =S =S Uma vergonha! Sorry women!

Ainda por cima, enviei tudo para o site da Nike através do iTunes, exactamente como manda o figurino, mas os resultados não aparecem em lado nenhum. Provavelmente o computador achou que era alguma piada e resolveu ignorá-los. =S

Mas não comecem já a achar que vou ficar por isto mesmo... na ni na ni na nãoooo... =))) Amanhã lá estarei a tentar melhorar o vergonhoso resultado. Desta vez sem Bolshoi, mas ainda com as Adidas. ;-)

sábado, 21 de Março de 2009

Go Women!


Pois é... graças à competição Men Vs Women da NIKE e ao Ruca, que fez questão de me contagiar com esta febre, acabei mesmo por comprar o iPod nano e já me inscrevi no NIKE + para participar. =D

Ainda estou à espera do sensor, mas já tenho aqui o widget e já iniciei os treinos de preparação física ahahaha...

Men bewaaaare, one more woman running =D

A verdade é que tudo isto me fez passar a Mrs Brightside =) and I know this ain't McDonalds' but I'm loving it anyway. =D

São inúmeras as power songs que já bailam no meu nano... e acreditem, motivam-nos mesmoooo... Deixo-vos aqui algumas. =)))

Boas corridas aos contagiados, mas não se iludam... as mulheres vão acabar por ganhar... lebre... tartaruga... turururu... Does that ring a bell?? =D

GO WOMEN!... lol

Às vezes...


Às vezes é preciso partir antes do tempo...Pensar que o tempo está a nosso favor, que a vontade de mudar é sempre mais forte, que o destino e as circunstâncias se encarregarão de atenuar a nossa dor e de a transformar numa recordação ténue e fechada num passado sem retorno que teve o seu tempo e a sua época e que um dia também teve o seu fim.

Às vezes mais vale desistir do que insistir, esquecer do que querer, arrumar do que cultivar, anular do que desejar. No ar ficará para sempre a dúvida se fizémos bem, mas pelo menos temos a paz de ter feito aquilo que devia ser feito, somos outra vez donos da nossa vida e tudo é outra vez mais fácil, mais simples, mais leve, melhor.

Às vezes é preciso mudar o que parece não ter solução, deitar tudo abaixo para voltar a construir do zero, bater com a porta e apanhar o último comboio, no derradeiro momento e, sem olhar para trás, abrir a janela e jogar tudo borda fora... esquecer a voz, o cheiro, as mãos e a cor da pele, apagar a memória sem medo de a perder para sempre, esquecer tudo, cada momento, cada minuto, cada passo e cada palavra, cada promessa e cada desilusão, atirar com tudo para dentro de uma gaveta e deitar fora a chave.

Às vezes é melhor partir para outro lugar, mesmo quando o que mais queremos é ficar, permanecer, construir, investir, amar... porque quem parte é quem sabe para onde vai, quem escolhe o seu caminho e mesmo que não haja caminho, porque o caminho se faz a andar. Quem fica, fica a ver, a pensar, a meditar, a lembrar... até se conformar e um dia então esquecer.

MRP

quarta-feira, 18 de Março de 2009

E tu? Se fosses uma cor de que cor serias?


Hoje uma aluna veio ter comigo e perguntou-me: - Stora, se fosse uma cor, de que cor seria? - eu devo ter ficado com uma expressão estranha, do género rosto congelado, típica de quem é apanhado de surpresa e não faz a mínima do que responder. A miúda, impaciente, começou a rir e acabou por responder: - Já sei!! A stora Ana não ia ter só uma cor, ia ser às bolinhas e de várias cores. - e foi embora a correr.

Eu fiquei a matutar naquilo... "Boa! Esta nunca te tinham perguntado... e se fosses uma cor, de que cor serias?"... É que, segundo consta, sou uma pessoa um tanto ou quanto temperamental, impulsiva, e cujo humor é o mais instável possível. Oscilo da boa disposição ao monco num pestanejar de olhos e sem razão aparente para os que comigo lidam. Basta um pensamento menos bom, trazido por uma frase que me lembrou algo de que não me deveria ter lembrado ou a simples letra de uma canção, que, sem intenção, me transportou algures para onde nunca me deveria ter transportado e... voilà, temos dúzias de Anas diferentes...

Sou caranguejo. Para os crentes em astrologia talvez isso justifique as minhas mudanças repentinas de humor, visto que, segundo os entendidos na coisa, os cancerianos são regidos pela Lua, conhecida pelas suas inúmeras fases. Para os menos crentes serei louca ou bipolar, que está muito na moda hoje em dia.

Ora, tudo isto torna a tarefa de escolher uma só cor praticamente impossível. Talvez a miudita tivesse razão. Seria às cores... =S

terça-feira, 17 de Março de 2009

A culpa é da crise

Antevisão das férias dos portugueses em 2009 =)

segunda-feira, 16 de Março de 2009

Gosto...


Gosto de chegar a casa e atirar as coisas para cima da mesa, sem ter que me preocupar com a desarrumação, pôr a banda sonora do meu filme preferido a tocar, encher a banheira de água quente e mergulhar lá dentro, até a água cobrir a ponta do meu nariz...

Gosto de sair uma hora depois, enrolar-me naquela toalha felpuda e ficar assim, quieta, o tempo que me apetecer...

Gosto de fazer aquele chocolate quente e bebê-lo a olhar o mar, da janela da sala... ainda de cabelo molhado e a cheirar a champô de lavanda francesa e planta de jade, que não sei o que é, mas que cheira muito bem...

Gosto de agarrar naquele livro e sentar-me, no fim de tarde, na cadeira de baloiço do terraço, a ler até não haver luz que me permita continuar...

Gosto de cozinhar aquele prato requintado, sem qualquer motivo que não seja a minha vontade, e abrir aquela garrafa de vinho, guardada mesmo para estes momentos...

Gosto de me enrolar no sofá, na manta que a avó me deu, e deliciar-me com um bom filme, até as pestanas pesarem toneladas e eu acabar por adormecer...

Gosto de ser acordada com o nariz frio do Bolshoi a tocar na minha bochecha... é o único despertador que me faz acordar bem disposta...

Gosto de, ociosamente, cair na cama, em posição de caracol, e sonhar que estou longe... muito longe daqui e que tenho os teus pés enrolados nos meus.


domingo, 15 de Março de 2009

Gran Torino

Clint Eastwood no seu último papel como actor... Espero, sinceramente, que da cadeira de realização não tire o rabinho tão cedo.

Realizador de muitos dos filmes da minha vida... A Perfect World, The Bridges of Madison County, Mystic River e, agora, Gran Torino... sem dúvida que o velho "Dirty Harry" vai fazer muita falta quando resolver abandonar as lides cinematográficas.

Quem ainda não viu, não perca. Garantidamente, um bom filme.

sábado, 14 de Março de 2009

Poderia ter sido, mas não foi...

Longe vão as aulas de Literatura Portuguesa, em que o professor Louro recitava Pessoa como ninguém e me fazia crescer a vontade de ler tudo o que já havia sido escrito por ele...

Longe vão as aulas de Literatura em que a professora Olga me tentava convencer que a Florbela não era demasiado "Espanca" e, que um dia, ainda viria a gostar tanto dela como de Pessoa (desculpe professora Olga, mas Pessoa continua a ser, na minha opinião, O poeta, no verdadeiro sentido da palavra.) =]

Longe vão os tempos em que este poema se exibia, no velho painel de cortiça do meu quarto, na Azevedo Coutinho... no entanto, continuo a ser tão apaixonada por Pessoa como nessa altura e não fazia qualquer sentido a existência deste blog sem este magnífico poeta cá figurar.

Hoje, no meu painel de cortiça virtual, aqui vos deixo o meu heterónimo preferido deste grande senhor e um dos poemas que mais me tocou.

Enjoy! =]

Na noite terrível, substância natural de todas as noites,
Na noite de insónia, substância natural de todas as minhas noites,
Relembro, velando em modorra incómoda,
Relembro o que fiz e o que podia ter feito na vida.
Relembro, e uma angústia espalha-se por mim todo
Como um frio do corpo ou um medo.


O irreparável do meu passado - esse é que é o cadáver!
Todos os outros cadáveres pode ser que sejam ilusão,
Todos os mortos pode ser que sejam vivos noutra parte.
Todos os meus próprios momentos passados pode ser que existam algures,
Na ilusão do espaço e do tempo,
Na falsidade do decorrer.
Mas o que eu não fui, o que eu não fiz, o que nem sequer sonhei;
O que só agora vejo que deveria ter feito,
O que só agora claramente vejo que deveria ter sido
Isso é que está morto para além de todos os Deuses,
Isso - e foi afinal o melhor de mim - é que nem os Deuses fazem viver...

Se em certa altura
Tivesse voltado para a esquerda em vez de para a direita;
Se em certo momento
Tivesse dito sim em vez de não, ou não em vez de sim;
Se em certa conversa
Tivesse tido as frases que só agora, no meio sono elaboro
Se tudo isso tivesse sido assim,
Seria outro hoje,
E talvez o universo inteiro fosse insensivelmente levado a ser outro também.

Mas não virei para o lado irreparavelmente perdido,
Não virei nem pensei em virar,
E só agora percebo;

Mas não disse não ou não disse sim,
E só agora vejo o que não disse;
As frases que faltou dizer nesse momento
Surgem-me todas, claras, inevitáveis, naturais,
A conversa fechada concludentemente,
A matéria toda resolvida...

Mas só agora o que nunca foi, nem será para trás, me dói.
O que falhei deveras não tem esperança nenhuma,
Em sistema metafísico nenhum.

Pode ser que para outro mundo eu possa levar o que sonhei.
Mas poderei eu levar para outro mundo o que me esqueci de sonhar?

Esses sim, os sonhos por haver, é que são o cadáver.
Enterro-o no meu coração para sempre,
Para todo o tempo,
Para todos os universos.

Nesta noite em que não durmo, e o sossego me cerca
Como uma verdade de que não partilho,
E lá fora o luar, como a esperança que não tenho,
É invisível para mim.

Álvaro de Campos

quarta-feira, 11 de Março de 2009

A question of taste...

«I know I am an acquired taste... I'm anchovies and not everybody wants those hairy little things. If I was a potato chip, I could go a lot more places, but I'm not.»

Tori Amos

terça-feira, 10 de Março de 2009

Saudades...


Saudades de acreditar que no meu quintal viviam fadas, que só saíam de noite quando já toda a gente dormia...

Saudades das noites em que, deitada na cama com a cabeceira do rato Mickey, feita pelo pai, acordava antes de ser hora de acordar e abria o olho para aquele raio de luz que entrava pelo estore e que não era de sol, mas de lua... Sair de mansinho, para não acordar a família, e ir espreitar se as fadas estavam mesmo no canteiro e se faziam os bailados que os meus livros de histórias descreviam.

Saudades de acreditar no Pai Natal e de ficar contigo a olhar as estrelas, à espera de ver passar o trenó cheio de brinquedos, puxado por uma dúzia de renas guiadas pelo Rudolfo.

Saudades daqueles acampamentos selvagens na Deserta, em que fazíamos travessias de barco a remos para o outro lado da ilha, para depois rebolarmos duna abaixo, perdidos de riso e num vortex de ideias que acabavam por dar lugar a histórias que só existiam nas nossas cabeças... como a dos buracos mágicos que nos sugavam para dentro da duna, onde havia múmias que ganhavam vida, tesouros de piratas esquecidos... arcas e arcas cheias de jóias preciosas e moedas de ouro... tu desejavas sempre que lá houvesse uma arca cheia de doces...

Saudades das guerras de lodo na maré baixa e dos banhos de mar à noite.

Saudades de saltar em cima da cama e ouvir os gritos da mãe: - Olhem as molaaaaas do colchãoooo.

Saudades das nossas guerras para ver quem mais desarrumava o quarto do outro. Não havia uma gaveta que ficasse por virar em cima da cama ou no chão...

Saudades dos nossos passeios de bina, que acabavam sempre num laranjal alheio, a enchermo-nos de laranjas, com medo de ouvir o disparo de uma caçadeira ou um cão feroz, mas que, ainda assim, não nos impedia de encher os bolsos e as mochilas...

Saudades de discutir contigo para saber quem rapava as pás da batedeira, repletas de massa de bolo... felizmente elas eram sempre duas, embora houvesse uma sempre com mais massa que outra .

Saudades de me meter contigo debaixo dos lençóis, com as lanternas acesas, e imaginar que pilotávamos uma nave espacial rumo a Vénus.

Saudades de comer aquele guarda-chuva de chocolate, eu o vermelho e tu o azul, sempre que havia uma ida ao supermercado com a mãe e o pai.

Saudades de pular para os teus braços e pedir que me levantasses como os bailarinos levantavam as bailarinas e, de de repente, a sala deixar de ser sala e se transformar naquele palco cheio de holofotes e público, o pijama deixar de ser pijama e se transformar naquele vestido de tule branco que só as bailarinas usam... até tu me chamares gorda e tudo voltar à sua forma original.

Saudades das vezes que assaltávamos o galinheiro da vizinha e vínhamos carregados de ovos para fazermos gemadas... sim essas que toda a gente dizia que faziam mal ao fígado.

Saudades de esvaziar pneus contigo e fugir ou de jogar sacos de água do terraço da avó cá para baixo.

Saudades de me deitar silenciosamente ao teu lado, depois de acordar de um pesadelo e fugir para o teu quarto.

Saudades de me sentar na plateia a ver as tuas peças de teatro e sentir aquela lágrima de orgulho rolar bochecha abaixo ou de estar nervosa, num sarau, prestes a dançar para centenas de pessoas, e encontrar-te sentado na bancada, com aquele sorriso que me acalmava.

Saudades de ser assim pequenina e de todos os problemas terem solução...

Já experimentei ser grande. Não gosto! Podemos agora imaginar uma máquina do tempo que nos faça voltar àquelas dunas? Prometo que quando me perguntarem o que quero ser quando for grande, respondo: - Quero ser pequenina outra vez.

segunda-feira, 9 de Março de 2009

Two Days In Paris...


It's not easy being in a relationship, much less to truly know the other one and accept them as they are...

It always fascinated me how people go from loving you madly to nothing at all... nothing. It hurts so much.

When I feel someone is going to leave me, I have a tendency to break up first, before I get to hear the whole thing. Here it is. One more, one less. Another wasted love story. I really love this one. When I think that it's over, that I'll never see him again like this... well yes, I'll bump into him... we'll meet our new boyfriend and girlfriend, act as if we had never been together, then we'll slowly think of each other less and less until we forget each other completely......almost.

Always the same for me. Break up, break down. Drink up, fool around. Meet one guy, then another, fuck around. Forget the one and only. Then after a few months of total emptiness start again to look for true love, desperately look everywhere and after two years of loneliness meet a new love and swear it is the one, until that one is gone as well.

There's a moment in life where you can't recover any more from another break-up. And even if this person bugs you sixty percent of the time, well you still can’t live without him. And even if he wakes you up every day by sneezing right in your face, well you love his sneezes more than anyone else's kisses.




domingo, 8 de Março de 2009

Manifesto anti Dia da Mulher


Correndo o alto risco de ser apedrejada pelo que aqui vou dizer, não consigo não me manifestar contra este dia, quanto a mim, ridículo.

Como mulher, chego mesmo a sentir-me ofendida com tal palhaçada. Depois de tantas de nós terem lutado pela igualdade de direitos, para que fossemos reconhecidas como seres, se não superiores, pelo menos iguais ao sexo oposto, depois de tanto esforço para que se assumisse em sociedade que o sexo feminino é tão ou mais capaz que o masculino no cumprimento de certas tarefas, surge este dia extremamente idiota a deitar tudo por terra.

Tenham santa paciência! É isto e a frase célebre: «Mulheres e crianças primeiro.» Já estou como dizia a Karen, no África Minha: «-Que significa isso?? Trata-se de apenas uma categoria ou são duas?»... P'lamor da santa, não há paxorra para tanto.

Ainda há dias via, no «Nós Por Cá», um parque de estacionamento de um desses hiper-mercados de nome, com um lugar destinado apenas a mulheres, logo ali ao lado do dos deficientes e do das mulheres grávidas! Aposto que as mulheres que festejam este dia devem ter achado a ideia o máximo!

Não, não me peçam para ir a jantares de Dia da Mulher nem para participar em todas as fantochadas que se seguem... porque, no que me diz respeito, este dia é a humilhação total para o sexo feminino e conta com o meu mais sentido repúdio.

sábado, 7 de Março de 2009

The nicest thing

All I know is that you're so nice,
You're the nicest thing I've seen.
I wish that we could give it a go,
See if we could be something.

I wish I was your favourite girl,
I wish you thought I was the reason you were in the world.
I wish my smile was your favourite kind of smile,
I wish the way that I dressed was your favourite kind of style.

I wish you couldn't figure me out,
But you'd always wanted to know what I was about.
I wish you'd hold my hand when I was upset,
I wish you'd never forget the look on my face when we first met.


I wish you had our favourite beauty spot
That you loved secretly,
'Cos it was on a hidden bit that nobody else could see

Basically I wish that you loved me
I wish that you needed me

I wish that you knew when I said two sugars actually I meant three

I wish that without me your heart would break,
I wish that without me you'd be spending the rest of your nights awake.
I wish that without me you couldn't eat,
Yeah, I wish I was the last thing on your mind before you went to sleep.

Look, all I know is that you're the nicest thing I've ever seen;
And I wish we could see if we could be something...

sexta-feira, 6 de Março de 2009

Afinal em que é que ficamos?

Have you ever been in love? Horrible, isn't it? It makes you so vulnerable. It opens your chest and it opens up your heart and it means that someone can get inside you and mess you up.

You build up all these defenses, you build up a whole suit of armor, so that nothing can hurt you, then one stupid person, no different from any other stupid person, wanders into your stupid life...You give them a piece of you. They didn't ask for it. They did something dumb one day, like kiss you or smile at you, and then your life isn't your own anymore.

Love takes hostages. It gets inside you. It eats you out and leaves you crying in the darkness, so simple a phrase like 'maybe we should be just friends' turns into a glass splinter, working its way into your heart.

It hurts. Not just in the imagination. Not just in the mind. It's a soul-hurt, a real gets-inside-you-and-rips-you-apart pain.

(...)Neil Gaiman

...On the other hand...

People are afraid of themselves, of their own reality; their feelings most of all.

People talk about how great love is, but that's bullshit. Love hurts. Feelings are disturbing.

People are taught that pain is evil and dangerous.

How can they deal with love if they're afraid to feel?

Pain is meant to wake us up. People try to hide their pain. But they're wrong. Pain is something to carry, like a radio. You feel your strength in the experience of pain. It's all in how you carry it. That's what matters.

Pain is a feeling. Your feelings are a part of you. Your own reality.
(...)Jim Morrison

Porque tu até gostaste deste post e porque se eu aqui o pus antes é porque também gosto bastante dele, porque nem só de palermices vai ser feito este blog nem é feita a minha cabeça, porque tudo isto é suposto ser um pouco de mim e eu sou assim... nem tudo idiotices, nem tudo muito sério e profundo, mas, acima de tudo, porque hoje me apeteceu bastante... aqui está ele novamente e, desta vez, para ficar. ;)

quinta-feira, 5 de Março de 2009

E Deus criou o HOMEM

A primeira vez que vi tão perfeita criatura foi no filme «Unfaithful», onde a sortuda da Diane Lane tem a felicidade de contracenar com ele, envolvendo-se em cenas extremamente quentes e de provocar inveja a qualquer uma.

Tudo o que a alma feminina deseja personificado num homem só... senão vejamos:

1- Muito macho, sem parecer taberneiro;
2- Sedutor, sem dar uma de trolha;
3- Bonito, sem parecer um boneco;
4- Inteligente, sem ser enfadonho;
5- Atrevido, sem ser vulgar;
6- Delicado, sem ser borboleta;
7- Bem feitão, sem parecer um gorila.

Ficamos pelas 7, o número da perfeição que tão bem o define.

Senhores e senhoras, Paul Martel ou, para os amigos, Olivier Martinez. Para mim Ollie, mas isso é só para mim =D

Sim Deus, desta vez esmeraste-te, os meus mais sinceros parabéns. Mas please, para a próxima faz dele meu vizinho, sim?? Eu mereço. ;)

quarta-feira, 4 de Março de 2009

Felicidade com L de LISBOA =))


Lisboa das sete colinas
Lisboa de Alfama
Lisboa da Mouraria
Lisboa do Fado
Lisboa do povo
Lisboa do Tejo
Lisboa dos pastéis
Lisboa das calçadas
Lisboa dos eléctricos
Lisboa das vendedoras de flores
Lisboa dos vendedores de castanhas
Lisboa das tertúlias
Lisboa dos copos
Lisboa dos amigos de verdade
Lisboa dos amores a sério
Lisboa dos miradouros de sonho
Lisboa das noites mágicas
Lisboa dos momentos inesquecíveis
Lisboa que me faz andar a um palmo do chão e a uma mão travessa do céu
Lisboa que me corre nas veias
Lisboa que me faz sentir viva
Lisboa que tenho sempre comigo...
Lisboa... Lisboa...
Um dia...

Não é segredo para ninguém que sou muito mais lisboeta que muitos dos lisboetas de facto. Entre mim e Lisboa há uma relação de cumplicidade e paixão assolapada, difícil de perceber pelo mais comum dos mortais. No entanto, quem me conhece de menina sabe que sempre foi o amor mais verdadeiro que alguma vez tive e aquele a quem sempre me mantive fiel. Se há algo de que sempre tive certeza é de que é ali que quero viver o resto dos meus dias.

Ontem tive a confirmação... não será «um dia», como em tempos escrevi no texto acima, vai ser já a partir de Agosto.

Aos que cá deixo, saibam que terão sempre um quarto à disposição por lá e dois braços bem abertos à vossa espera. Afinal são só duas horas e meia de caminho =) E o mais certo é cá vir parar fim de semana sim, fim de semana não, que sou muito mimada e não vivo sem miminhos de mamã, papá e vóvó ahahah =P

terça-feira, 3 de Março de 2009

Para quem acha que tem um mau emprego... saiba que há bem piores. =)


Depois disto, juro que nunca mais niguém me vai ouvir queixar da minha profissão... Tenho o emprego de sonho. ;)

segunda-feira, 2 de Março de 2009

Ai não, que não traz!


Ainda há pouco, em conversa com um amigo de longa data, fui avisada para não me esquecer de jogar no euromilhões esta semana. Ao que parece o dito cujo vai encher o rabiosque de alguém, com dinheiro que se veja, já na próxima sexta-feira.

Foi quando me pus a pensar (sim é verdade, eu às vezes também sou capaz disso) no que seria a vida da Ana Cristina com uma conta, generosamente, recheada, assim repleta mesmo, com bufunfa a perder de vista...

Ena Anaaaa... isso é que eraaaa... (e logo se desenhou aquele sorriso capaz de dar a volta à cachimónia e se iluminaram os olhos, que já estavam postos algures numa soberba esplanada no Dubai).

Ainda dizem que o dinheiro não traz felicidade... tsss... tsss... e a louca sou eu??!! Só a ideia dele já me fez feliz.

Imagina que ganhava mesmo todo aquele carcanhol?? É que já me imagino triste, triste... de lágrima no olho, sentada na berma de um passeio, a berrar que nem uma desalmada, de mãos agarradas à tola... «- Nãoooo, nãooooo... Porquê a mim Senhor?? Porque me castigais com tanta infelicidade?? Eu não tinha prometido deixar de ser preguiçosa?? E agora?? Como vou dizer à minha querida amiga, Mª de Lurdes, que não vou poder mais ser (des)orientada por ela, que não posso mais dar aquelas aulas de substituição que me faziam tão feliz, que jamais preencherei aquela iluminada ficha de auto-avaliação que, com tanto custo, a pobrezita pariu??».

Ora tenham santa paciênciaaaa!! Cá a Je não é dessas coisas, nunca fui dada a moralismos infundados... Ia de imediato marcar a minha rota de spas... sim, spas... tinha que relaxar, devidamente, antes da tarefa árdua que deve ser gastar tanto dinheiro. E depois... (aaaah depoooois...) depois, era um non stop de boa vida, sem lugar para a monotonia ou para gente chata.

Um Clyde perdido com uma Bonnie, numa sangria de champanhe e frutos silvestres, ao som de um bom jazz, num jantar iluminado apenas pela lua, as estrelas e a luz ténue de algumas velas, no último andar do Burj Al Arab, tendo aquele delicioso mar como cenário...mmm... soa mesmo a algo que não traz qualquer felicidade, não soa??

Como dizia o meu querido William, «Money is like a sixth sense - and you can't make use of the other five without it.»

Obviamente que nãooo, não seriam só futilidades, mas que elas sabem bem sabem e que iam ser muitas lá isso iam.

Portanto, venha lá Sr. Argent, não se acanhe, que a mim não assusta.

CATCHIIIM ;)


domingo, 1 de Março de 2009

Arrivederci dolce far niente


Estava a analisar a minha vida, hoje de manhã, e a pensar porque razão as coisas que me parecem estar a seguir o rumo certo, e que estão prestes a tornar-se em sonhos ou desejos realizados, nunca chegam a acontecer... como se quase morresse de sede à beira do poço. Foi quando me ocorreu que sou uma pessoa extremamente preguiçosa... aí está... EUREKA... descobri, não a relação existente entre a massa e o volume de um corpo, mas a causa das minhas frustrações... P-R-E-G-U-I-Ç-A... sim, ela mesma, a dominadora de todos os meus dias, em toda a sua magnitude... o sétimo pecado mortal.

«A Igreja Católica apresenta a preguiça como um dos Sete Pecados Capitais, caracterizado pela pessoa que vive em estado de falta de capricho, de esmero, de empenho, em negligência, desleixo, morosidade, lentidão e moleza, de causa orgânica ou psíquica, que a leva à inactividade acentuada. Aversão ao trabalho, frequentemente associada ao ócio, vadiagem.»

Visto isto, não me resta qualquer dúvida, estou a sofrer de castigo divino... ou me redimo deste terrível pecado capital e caio na boa graça do Altíssimo, ou estou destinada a fazer o percurso até ao poço, para ali definhar sem conseguir uma pinga de água...

Anda Ana Cristina, começa a ler o Míshlê Shelomoh se queres ver a situação alterada... ou assume que queres viver em pecado o resto dos teus dias e acumula frustrações.

Adeus doce ócio, amigo e companheiro que nunca me abandonou...

Arrivederci dolce far niente, até um dia.

sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2009

Quase, quase perfeita...

Há muitos, muitos anos... espera, muitos, muitos também não, há alguns... eis que nasce, algures em Luanda, a rapariga quase, quase perfeita...

«- Se não fosse o excesso de cabelo era linda, mas parece um macaquinho. Até nas costas e nas orelhas tem penugem, coitada! E traz um penacho, já viste?! Devia ter o cabelo torto dentro da barriga... Olha só! Penteio-o, mas não desce!»

Pois é, a penugem caiu toda e o penacho descobriram mais tarde que até o podiam cortar. Hoje sou dona de uma farta e longa cabeleira, capaz de causar inveja a muito mulherio, não fossem outros defeitos que entretanto se desenvolveram.

Nome: Ana Cristina (Após largos dias sem um nome, a avó paterna decide, depois de um jantar, que ninguém abandonava a mesa enquanto a «menina» não tivesse um nome. E assim surge a minha graça... ANA CRISTINA... se pelo menos fosse Ana Catarina, é parecido e tudo, mas não...foi mesmo o Ana CRISTINA que se abateu sobre mim e me passou a definir daí em diante...um nome quase, quase perfeito. Pelo menos não decidiram apelidar-me de Constança do Rosário em homenagem a ambas as avós... Xiça!!)

Idade: Mais de 30 e menos de 35... Ainda tentei ficar no gap entre os 20 e os 30...esperneei e berrei, fiz promessas e até me portei razoavelmente bem, mas não consegui o resultado esperado. Resta-me o consolo de ser considerada trintinha e não trintona, visto que ainda não ultrapassei os 35 - idade a partir da qual se dá o facto por consumado e tudo se torna oficial... Trintonas por excelência ou as também chamadas Balzaquianas.

Sonhos: q.b.... e quase que os realizei, mas... adivinha??? Sim, isso. Esteve quase, quase... foi por um bocadinho assim que não se realizaram. (Bailarina?? «Como filha?? tens os pés chatos, tens que usar botas ortopédicas.» - mais tarde, já adolescente, percebi que era o melhor desporto para quem tinha o pé quase perfeito, mas com defeito. O problema na realidade era o elevado custo das aulas e, assim, acabei por frequentar aulas de dança num clube desportivo das redondezas que, obviamente, não me conduziu a lugar algum. - Veterinária?? - quase, se não tivesse ganho asco à matemática depois de umas ponteiradas da professora do básico, que insistia que as contas de somar não necessitavam de ter parcelas ordenadas - estupor da mulher não teve a sensibilidade de perceber que eu era demasiado organizada para ver as parcelas colocadas à toa, em vez de aparecerem, elegantemente, dispostas por tamanho. E nunca fui filha do Onassis, nem lá perto, para me dar ao luxo de entrar numa dessas privadas que aceitam todos os que tiverem carteiras recheadas, ainda que não percebam da dita disciplina... )

É óbvio que, presentemente, a minha vida não está a atravessar a melhor fase... digamos que cheguei à conclusão que até aqui quase vivi, ou tive a vida quase perfeita, não fossem os pormenores que a fizeram saltar do carril e deixar uma carruagem cheia de sonhos perdida algures a meio do caminho.

No fundo a vida é feita disto mesmo, sonhos (feitos ou desfeitos)... momentos (certos ou errados)... oportunidades (aproveitadas ou perdidas)... decisões (tomadas ou por tomar)... A verdade é que ela se apresenta à nossa frente como este blog... em branco, e somos nós que controlamos o que poderá nascer ou não nesse espaço vazio. Isso, por si só, é já bastante assustador.

Este será o meu canto despido de tudo, aquele onde vou tentar criar, despreocupadamente, o lugar, para mim, quase perfeito.